13/10/2012


                           Ruben, águas turbulentas.


Introdução
De acordo com Gênesis 29.32, seu nome deriva-se de dois termos hebraicos que significam “ver” e “filho”. Era o filho mais velho de Jacó e Lia, primeira esposa dele. Nasceu em Padã-Arã. Nesta lição, estudare-mos sobre o primogênito de Jacó. Sua trajetória serviu de estrutura para o destino de sua tribo. E com certeza também nos deixam grandes exemplos para termos uma vida de santidade diante do Senhor. 
. A história de Ruben.
 Ruben era o primogênito dos 12 filhos de Jacó. Sua mãe era a esposa menos favorecida de Jacó, Lia, que chamou o menino de Ruben, “por-que”, segundo ela mesma disse, “Jeová tem olhado para a minha miséria, sendo que agora meu esposo começará a amar-me”, (Gn 29.32;). Em resultado do contínuo favor que Jeová mostrou a sua mãe, Ruben e seus cinco irmãos germanos (Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom) constituíram metade dos cabeças tribais originais de Israel; os outros seis (José, Benjamim, Dã, Naftali, Gade e Aser) eram meio-irmãos de Rubem, (Gn 35.23-26).
1.1. Suas qualidades.
Algumas das boas qualidades de Ruben revelaram-se quando persuadiu seus nove irmãos a lançar José num poço seco, em vez de matá-lo, sendo o objetivo de Ruben retornar em secreto e tirá-lo do poço, (Gn 37.22b). Mais de 20 anos depois, quando estes mesmos irmãos arrazoaram que as acusações de espionagem levantadas contra eles, no Egito, se deviam a terem maltratado José, Ruben lembrou aos demais que ele não tinha participado no complô contra a vida de José, (Gn 42.9-14, 21, 22). Também, quando Jacó se recusou a permitir que Benjamim acompanhasse seus irmãos na segunda viagem ao Egito, foi Ruben quem ofereceu os próprios dois filhos como garantia, dizendo: “Podem ser mortos por ti se [eu] não to trouxer [isto é, Benjamim] de volta”, ( Gn 42.37).
1.2. O primogênito
Como primogênito de Jacó, Ruben gozava naturalmente dos direitos do filho primogênito da família. Como tal, tinha direito de receber duas parcelas dos bens deixados por Jacó, seu pai. A questão, pouco antes da morte de Jacó, quando ele abençoou seus filhos, era: entraria Ruben no gozo desses direitos de primogênito? Também, o patriarca Jacó, como cabeça da família, havia atuado como sacerdote de Jeová para toda a família e oferecido sacrifícios no altar familiar, bem como tinha liderado em orar e dar instrução religiosa. Como pai, agira também como o governador de toda a família e de todos os seus servos, gado e propriedades. Seriam essas responsabilidades repassadas a Ruben? Lembremo-nos de Jesus, que, sendo o primogênito de Deus, (Jo 3.16), cumpriu com todos os seus deveres de filho e ainda nos outorgou o direito de sermos co-herdeiros com Ele, (Rm 8.17).
1.3. Seu erro.
Na benção outorgada a Ruben em Gênesis cap. 49, Jacó recordou algo que o desqualificava e que influía em seus futuros privilégios. Ruben havia desonrado seu pai cometendo imoralidade incestuosa com Bila, concubina de seu pai, serva de Raquel, a esposa amada de Jacó. Isto aconteceu pouco depois de Raquel morrer, ao dar à luz Benjamim. O relato bíblico não revela se Ruben violou Bila, a serva, a fim de impedir que esta tomasse o lugar de Raquel nas afeições de Jacó, tornando-se assim mais favorecida do que Lia, sua mãe, ou se agiu por pura lascívia. O relato diz apenas: “E sucedeu, enquanto Israel residia naquela terra, que Rúben foi uma vez e se deitou com Bila, concubina de seu pai, e Israel soube disso”, (35.22).
1.4. As consequências.
 Rubem não foi repudiado e expulso por causa disso. Foi muitos anos depois, ao abençoar seus filhos, que Jacó disse a Ruben, por inspiração divina: “Não te sobressaias.” Assim, foi despojado de privilégios que, de outra forma, teria como primogênito. Isto porque agira com “impetuosidade leviana como as águas”, ou seja, mostrara-se, que sendo instável como as águas, que de forma turbulenta e impetuosa arrebentam uma represa ou que se precipitam num vale de torrente, Ruben deveria ter exercido domínio próprio. Paulo lembra aos gálatas que, ao contrário da nossa natureza pecaminosa, existem as características do fruto do Espírito Santo no cristão, (Gl 5.22,23). Entre elas encontra-se o domínio próprio.
    2.O período tribal.
 
 O nome Ruben também representa a tribo constituída pelos seus des-cendentes, bem como a terra da sua herança. A tribo de Ruben proveio dos seus quatro filhos, Anoque, Palu, Esrom e Carmi, os cabeças familiares dos rubenitas, ( Gn 46.8, 9; Êx 6.14; 1Cr 5.3). Um ano depois do Êxodo do Egito, Elizur, filho de Sedeur, foi escolhido como maioral para representar a inteira tribo de Ruben, (Nm 1.1, 4, 5; 10.18).

2.1. O censo.
 A tribo de Rubem foi coerentemente uma das menos numerosas entre as 12. Um censo realizado no segundo ano de peregrinação no ermo enumerou 46.500 rubenitas em condições de prestar serviço militar, com 20 anos de idade ou mais. Cerca de 39 anos depois, essa força, que somava então 43.730, era um pouco menor,( Nm 1.2, 3, 20, 21; 26.5-7).

2.2. No acampamento.
No acampamento de Israel, os rubenitas, flanqueados pelos descendentes de Simeão e de Gade, situavam-se do lado Sul do tabernáculo. Quando em marcha, esta divisão de três tribos, encabeçada pela tribo de Ruben, seguia a divisão de três tribos de Judá, Issacar e Zebulom, (Nm 2.10-16; 10.14-20). Esta também foi a ordem em que as tribos fizeram a apresentação de ofertas no dia da inauguração do tabernáculo, (Nm 7.1, 2, 10-47).
2.3. A rebelião.
Quando Coré, o levita, rebelou-se contra Moisés, três rubenitas — Om, filho de Pelete, junto com Datã e Abirão, filhos de Eliabe — aderiram à revolta, acusando Moisés de tentar ‘desempenhar o papel de príncipe’ sobre eles e de não conseguir conduzí-los a uma ‘terra que manava leite e mel’. Nemuel, irmão de Datã e de Abirão, pelo visto não participou na revolta, (Nm 16.1, 12-14; 26.8, 9). Jeová mostrou que a revolta era, na verdade, um desrespeito contra Ele; ele fez com que a terra se abrisse e tragasse vivos os rebeldes e suas famílias, junto com todos os seus pertences.
2.4. A tribo no contexto Bíblico.
 No exército de Davi haviam rubenitas (I Cr 11.42;12.37), e eles foram integrados na estrutura política de Davi (I Cr 26.32;27.16). No reino dividido, os rubenitas foram-se afastando cada vez mais das atividades nacionais, até que o território deles passou ao controle sírio (2Rs 10.32,33). Vestígios da tribo são mencionados como deportados para a Assíria, por Tiglate-Pileser, junta-mente com a tribo de Gade e a meia-tribo de Manassés (I Cr 5.26). O Novo Testamento menciona a tribo de Ruben apenas por uma vez, na enumeração das tribos que serão seladas (Ap. 7.5).
       3. Os rubenitas e suas lições.
 
 Algumas lições podemos extrair da vida de Ruben e posteriormente à sua tribo. Vejamos:

3.1. Os desejos carnais
Por ter tido relação sexual com a concubina de seu pai (Gn 35.22), Ruben perdeu o direito à primogenitura. A palavra severa de Jacó a Ruben o fez desperdiçar sua maior esperança de primogênito, talvez por isso, Jacó o expõe diante de seus irmãos. Um gesto que demonstrou a mágoa de seu pai, e foi horrendo diante dos olhos de Deus, que refletiu sobre a sua descendência. Ruben era o tipo de pessoa que poderia ter tido um futuro promissor nas mãos de Deus, mas que foi vencido pelos desejos carnais, e acabou revelando por que Deus não trabalhou em sua vida. O pecado afastou as excelências dos descendentes de Ruben.
3.2. A advertência de Paulo.
Em Gálatas cap. 5.19-21, Paulo enumera uma lista completa de todos os pecados possíveis que uma pessoa pode cometer. Ele não cita todos os pecados, mas, está simplesmente dando exemplos para ilustrar a diferença entre a pessoa que é governada pelo Espírito e aquela que é uma escrava das paixões carnais. Ele nos desafia a retirar estas coisas de nossas vidas para que possamos viver e andar no Espírito.   Paulo não deixa dúvida em seu comentário final, no versículo 21: “(...) a respeito das quais eu vos declaro como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais cousas praticam". Há uma ligação inegável entre nossa conduta e nossa salvação eterna. A pessoa que não permite ao Espírito mudar totalmente sua vida e remover tal carnalidade não receberá o prêmio de um lar eterno com Deus. Devemos ser transformados de dentro para fora, (Rs 12.1,2).
3.3. A rebelião de Coré.

  O pecado de Coré e os rubenitas que o acompanharam encontram-se às vezes na igreja. Há crentes que não querem submeter-se às autoridades constituídas por Deus. Raciocinam assim: Considerando que todos os crentes são santos e formam um "sacerdócio real" (I Pd 2.9), não é necessário dar atenção aos pastores e a outros líderes. Alguns chegam ao extremo de ignorar a igreja, considerando-a desnecessária e antiquada. O relato da rebelião de Coré jorra luz sobre a maneira pela qual os servos de Deus devem atuar em semelhantes situações. Moisés exortou a Coré e aos seus seguidores advertindo-os de seu erro. Embora Moisés se mostrasse muito humano em sua reação aos líderes intratáveis (Nm 16.15), depois teve pena da congregação rebelde e pro-curou salvá-la do juízo de Deus (Nm 16.42-46).
 conclusão.
De fato, tanto a vida de Ruben, quanto sua tribo nos mostram exemplos a não serem seguidos. A falta de domínio próprio e a rebeldia começam com a falta de contentamento e o ceticismo; passa para as reclamações contra as circunstâncias e contra Deus, depois adquire amargura e ressentimento, seguidos finalmente por rebelião e hostilidade. Vigiemos se estivermos desconten-tes, cépticos, inclinados a reclamar ou a ficar ressentidos: estas atitudes nos levarão a nos rebelar contra Deus e as consequências serão sérias para nós.

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