Simeão, espalhado em Israel.
Introdução
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1.1. O homem Simeão.
Simeão foi o nome do segundo filho de Lia, uma das mulheres de Jacó, (Gn. 29.33) e significa “audição". Este homem cooperou na terrível empreitada de vender o irmão José para ser escravo no Egito. Outro evento notável em sua vida foi a matança de Siquém, que havia seduzido e violado a irmã dele, Diná (Gn. 34.25-31). Este ato forçou Jacó a mover a família para o sul, para Betel, a fim de evitar a vingança do povo de Siquém. Quando os filhos de Jacó foram ao Egito, buscando grãos em uma época de fome, José, o irmão que havia sido vendido como escravo, mas havia assumido um alto cargo naquele país, reteve Simeão como refém para garantir que, quando os outros retornassem, trouxessem Benjamim, o único irmão germano de José (os únicos dois filhos da favorita Raquel, (Gn 42.-24,26). A família inteira, incluindo Simeão, estabeleceu-se no Egito, a terra da abundância na época, e, assim, a nação de Israel desenvolveu-se naquele local e teve de ser libertada por Moisés de seu primeiro cativeiro. A bênção no leito de morte e o pronunciamento de Jacó sobre Simeão indica que ele era um homem esperto, mas cheio de raiva e crueldade (Gn. 49.5-7).
1.2. A tribo chamada Simeão.
A tribo chamada Simeão foi formada por descendentes desse homem, idéia negada por liberais e críticos que supõem não haver como indicar um único progenitor para essa ou para qualquer das doze tribos de Israel. De qualquer forma, através da conquista da terra prometida por Israel, foi alocada à tribo de Simeão uma área ao sul que incluía Berseba. O status independente da tribo logo foi perdido, quando ela se mesclou com outras tribos. O censo feito em Números cap. 1 verso 26 mostra que esta tribo perdeu mais de 27 mil membros. A herança dessa tribo foi muito limitada; ela recebeu certas vilas dentro dos limites de Judá (Js. 19.2-9; cf. 15.20-63).
Na distribuição das bençãos que Jácò outorgara a seus filhos, no capítulo de número 49 de Gênesis, vemos que ele usa de muita agressividade para com Simeão e Levi. Curiosamente, Levi, que deveria ser o progenitor de uma das tribos, no decorrer do contexto histórico, deixaria de ser uma tribo para cuidar do sacerdócio, dando lugar assim, a outras duas meio-tribos que comple-tariam o número final de doze. Mas por que isso aconteceu? É esse motivo que vamos analisar agora.
2.1. Entendendo a questão.
O capítulo de número 34 de Gênesis nos fornece o motivo pelo qual Simeão e Levi são tratados no capítulo de número 49.
2.1.1. Diná, irmã de Simeão.
Voltando, sem muita pressa, para a casa paterna, Jacó fixou residência em Siquém: um grande erro, como descobriu pouco depois. Sua filha Diná (justiça), saiu de casa para ver as filhas da terra, ela teria entre dezesseis e dezoito anos. Era uma temeridade de sua parte, sair desacompanhada para visitar os cananeus, conhecidos pela sua baixa moralidade e idolatria. O poderoso Siquém, o homem mais honrado na cidade, dentre os filhos de Hamor, vendo-a, achando-a atraente, a vio-lentou. Mas, se apaixonando, e desejando casar-se com ela pediu ao seu pai Hamor (como era costume na época) que a pedisse em casamento a Jacó. Ela ficou na casa de Siquém, conforme entendemos no versículo 26.
2.1.2. Começa a revolta.
Os filhos de Jacó, quando souberam do acontecimento, ficaram furiosos com o ultraje que sua família havia sofrido, o que parece ter sido muito mais importante aos seus olhos do que a imoralidade do ato cometido, que é um pecado diante de Deus, (Gn 34.7). Hamor havia vindo falar com Jacó, mas acabou falando com seus filhos. Ele lhes trouxe uma proposta muito generosa, esperando com isto apagar a desonra feita à irmã deles por seu filho, e formar uma aliança que seria proveitosa para ambos os lados. Siquém havia ido junto com ele, e estava tão apaixonado por Diná, que ofereceu dar o que pedissem como dote para concedê-la como sua esposa. Mas os filhos de Jacó consideraram que o ultraje sofrido tinha que ser vingado e usaram de um ardil para enfraquecer os homens de Siquém a fim de derrotá-los.
2.2. O uso da religião
Alegando que lhes seria vergonhoso dar sua irmã em casamento a um homem incircunciso, eles declararam que permitiriam o casamento sob uma única condição: que todos os homens de Siquém fossem circuncidados. Para maior incentivo ainda, acrescentaram que depois disso, eles se integrariam com o povo da cidade, e passariam a ser um só povo. Se os filhos de Jacó tivessem sido sinceros, haveria talvez algo de aproveitável em sua proposta: o povo de Deus não podia se misturar com os cananeus idólatras, mas se estes deixassem seus ídolos e passassem a servir o verdadeiro Deus, as barreiras poderiam ser dissipadas. Mas para que isto viesse a ocorrer seria necessária uma transformação completa em seu caráter, não apenas sua submissão a um rito religioso, como a circuncisão. Infelizmente, muitos hoje estão usando a religião e o nome de Jesus para satisfazerem suas próprias necessidades esquecendo que um dia hão de prestar contas ao Senhor, (Rm 14.-10-12).
2.2.1. A verdadeira intenção.
A intenção de Simeão e os outros filhos de Jacó, porém, era maliciosa, e eles fizeram uso da "religião" como pretexto para levar avante seus desígnios perversos. A proposta agradou a Hamor e Siquém, e este logo se submeteu à operação porque ele realmente amava Diná. Os dois foram à porta da cidade, e convenceram todos os homens a se circuncidarem, dizendo que assim poderiam se casar com o pessoal de Jacó, e que o gado, suas possessões e todos os seus animais passariam a ser deles: A circuncisão a seu ver era apenas um rito religioso, um pequeno preço a pagar por estes benefícios. Os homens se deixaram persuadir, e todos se circuncidaram.
2.3. O massacre.
Simeão e Levi, depois de Rúben, eram os irmãos mais velhos de Diná por parte de sua mãe Lia, e tinham pouco mais de vinte anos de idade. Mas o furor deles era tão grande, que entraram na cidade de surpresa e mataram todos os homens que ali moravam, além de Siquém e seu pai Hamor. Isso foi possível porque todos eles estavam enfraquecidos pela operação a que se haviam sub-metido. Foi, todavia, um massacre bárbaro e traiçoeiro de pessoas, sem qualquer justificativa do ponto de vista humano; os outros filhos de Jácó não tomaram parte na chacina, provavelmente porque não eram tão sanguinários como Simeão e Levi. Diná havia procedido de maneira muito imprudente, talvez contribuindo para o avanço de Siquém, e este realmente a amava e desejava reparar o mal que havia feito a qualquer custo para si, demonstrando honestidade. Mesmo sendo repreendidos por Jacó no verso 30, vemos no verso 31 que a resposta dada por seus filhos não demonstrou qualquer arrependimento. Eles tomaram uma atitude arrogante, e puseram toda a culpa em Siquém por ter abusado da sua irmã.
3. O resultado da vingança.
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Já que compreendemos bem esta história, estamos prontos para entendermos a profecia feita a Simeão e Levi. “Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura; dividi-los-ei em Jacó e os espalharei em Israel” (Gn 49.7). Estiveram juntos no mal, mas a profecia feita por Jacó os separaram definitivamente.
3.1. As palavras de Jacó no contexto histórico.
A história nos mostra o cumprimento total desta profecia. Os seus descendentes estariam espalhados no território de Canaã. Não conseguiram estabelecer tribos independentes. Anos mais tarde, quando Moisés realizou o segundo censo em Israel, Simeão se havia convertido na mais fraca de todas as tribos, (Nm 26.14). Na benção de Moisés, Simeão não foi lembrado. Para a tribo de Simeão, não foi designado um território separado como herança, mas ela recebeu uma quantidade de cidades, dentro do território de Judá. As famílias da tribo de Simeão não cresceram muito, e a maioria foi absorvida pela tribo de Judá.
3.2. Levi deixa de ser tribo para assumir o sacerdócio.
A tribo de Levi também não recebeu terra, receberam apenas 48 cidades espalhadas por todo o território de Israel, pelo fato de a tribo de Levi ter tomado uma posição firme ao lado de Deus. Vocês se lembram daquele incidente no Monte Sinai, diante do bezerro de ouro? A única tribo que se uniu a Moisés foi a de Levi. Mas isto não mudou a profecia. Eles continuaram espalhados nas 48 cidades. Porém, por esta postura foi dada a tribo de Levi a tarefa de cuidar dos serviços religiosos do tabernáculo, (Êx 32.26). Com isso, eles daí em diante deixaram de fazer parte do grupo das 12 tribos formando uma única tribo sacerdotal. A tribo de Levi, por sua fidelidade a Deus, converteu a maldição em uma benção; continuavam espalhados pelo território, mas tinham o privilégio de trabalhar nos serviços sagrados do templo.
3.3. Algumas lições.
Conclusão
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (IJo 1.9). Que possamos deixar todo ódio e rancor e vivermos o amor de Cristo para que tomemos parte da herança que nos é dada.




