21/10/2012



                     Simeão, espalhado em Israel.


Introdução
Na lição de hoje, vamos abordar alguns fatos importantes sobre Simeão. Na benção outorgada sobre sua vida, Jacó usa de certa agressividade para com ele e seu irmão Levi, devido a algo terrível praticado por eles. A tribo que leva seu nome desaparece rapidamente na narrativa bíblica. O que aconteceu? Quais ensinamentos podemos tirar da trajetória desta tribo? É o que vamos conferir.
1. Sua trajetória 
1.1. O homem Simeão.
Simeão foi o nome do segundo filho de Lia, uma das mulheres de Jacó, (Gn. 29.33) e significa “audição". Este homem cooperou na terrível empreitada de vender o irmão José para ser escravo no Egito. Outro evento notável em sua vida foi a matança de Siquém, que havia seduzido e violado a irmã dele, Diná (Gn. 34.25-31). Este ato forçou Jacó a mover a família para o sul, para Betel, a fim de evitar a vingança do povo de Siquém. Quando os filhos de Jacó foram ao Egito, buscando grãos em uma época de fome, José, o irmão que havia sido vendido como escravo, mas havia assumido um alto cargo naquele país, reteve Simeão como refém para garantir que, quando os outros retornassem, trouxessem Benjamim, o único irmão germano de José (os únicos dois filhos da favorita Raquel, (Gn 42.-24,26). A família inteira, incluindo Simeão, estabeleceu-se no Egito, a terra da abundância na época, e, assim, a nação de Israel desenvolveu-se naquele local e teve de ser libertada por Moisés de seu primeiro cativeiro. A bênção no leito de morte e o pronunciamento de Jacó sobre Simeão indica que ele era um homem esperto, mas cheio de raiva e crueldade (Gn. 49.5-7).
1.2. A tribo chamada Simeão.
 A tribo chamada Simeão foi formada por descendentes desse homem, idéia negada por liberais e críticos que supõem não haver como indicar um único progenitor para essa ou para qualquer das doze tribos de Israel. De qualquer forma, através da conquista da terra prometida por Israel, foi alocada à tribo de Simeão uma área ao sul que incluía Berseba. O status independente da tribo logo foi perdido, quando ela se mesclou com outras tribos. O censo feito em Números cap. 1 verso 26 mostra que esta tribo perdeu mais de 27 mil membros. A herança dessa tribo foi muito limitada; ela recebeu certas vilas dentro dos limites de Judá (Js. 19.2-9; cf. 15.20-63).
 
 2. Simeão e Levi.
 


 Na distribuição das bençãos que Jácò outorgara a seus filhos, no capítulo de número 49 de Gênesis, vemos que ele usa de muita agressividade para com Simeão e Levi. Curiosamente, Levi, que deveria ser o progenitor de uma das tribos, no decorrer do contexto histórico, deixaria de ser uma tribo para cuidar do sacerdócio, dando lugar assim, a outras duas meio-tribos que comple-tariam o número final de doze. Mas por que isso aconteceu? É esse motivo que vamos analisar agora.
2.1. Entendendo a questão.
O capítulo de número 34 de Gênesis nos fornece o motivo pelo qual Simeão e Levi são tratados no capítulo de número 49.
2.1.1. Diná, irmã de Simeão.
Voltando, sem muita pressa, para a casa paterna, Jacó fixou residência em Siquém: um grande erro, como descobriu pouco depois. Sua filha Diná (justiça), saiu de casa para ver as filhas da terra, ela teria entre dezesseis e dezoito anos. Era uma temeridade de sua parte, sair desacompanhada para visitar os cananeus, conhecidos pela sua baixa moralidade e idolatria. O poderoso Siquém, o homem mais honrado na cidade, dentre os filhos de Hamor, vendo-a, achando-a atraente, a vio-lentou. Mas, se apaixonando, e desejando casar-se com ela pediu ao seu pai Hamor (como era costume na época) que a pedisse em casamento a Jacó. Ela ficou na casa de Siquém, conforme entendemos no versículo 26.
2.1.2. Começa a revolta.
 Os filhos de Jacó, quando souberam do acontecimento, ficaram furiosos com o ultraje que sua família havia sofrido, o que parece ter sido muito mais importante aos seus olhos do que a imoralidade do ato cometido, que é um pecado diante de Deus, (Gn 34.7). Hamor havia vindo falar com Jacó, mas acabou falando com seus filhos. Ele lhes trouxe uma proposta muito generosa, esperando com isto apagar a desonra feita à irmã deles por seu filho, e formar uma aliança que seria proveitosa para ambos os lados. Siquém havia ido junto com ele, e estava tão apaixonado por Diná, que ofereceu dar o que pedissem como dote para concedê-la como sua esposa. Mas os filhos de Jacó consideraram que o ultraje sofrido tinha que ser vingado e usaram de um ardil para enfraquecer os homens de Siquém a fim de derrotá-los.
2.2. O uso da religião
 Alegando que lhes seria vergonhoso dar sua irmã em casamento a um homem incircunciso, eles declararam que permitiriam o casamento sob uma única condição: que todos os homens de Siquém fossem circuncidados. Para maior incentivo ainda, acrescentaram que depois disso, eles se integrariam com o povo da cidade, e passariam a ser um só povo. Se os filhos de Jacó tivessem sido sinceros, haveria talvez algo de aproveitável em sua proposta: o povo de Deus não podia se misturar com os cananeus idólatras, mas se estes deixassem seus ídolos e passassem a servir o verdadeiro Deus, as barreiras poderiam ser dissipadas. Mas para que isto viesse a ocorrer seria necessária uma transformação completa em seu caráter, não apenas sua submissão a um rito religioso, como a circuncisão. Infelizmente, muitos hoje estão usando a religião e o nome de Jesus para satisfazerem suas próprias necessidades esquecendo que um dia hão de prestar contas ao Senhor, (Rm 14.-10-12).
2.2.1. A verdadeira intenção.
 A intenção de Simeão e os outros filhos de Jacó, porém, era maliciosa, e eles fizeram uso da "religião" como pretexto para levar avante seus desígnios perversos. A proposta agradou a Hamor e Siquém, e este logo se submeteu à operação porque ele realmente amava Diná. Os dois foram à porta da cidade, e convenceram todos os homens a se circuncidarem, dizendo que assim poderiam se casar com o pessoal de Jacó, e que o gado, suas possessões e todos os seus animais passariam a ser deles: A circuncisão a seu ver era apenas um rito religioso, um pequeno preço a pagar por estes benefícios. Os homens se deixaram persuadir, e todos se circuncidaram.
2.3. O massacre.
Simeão e Levi, depois de Rúben, eram os irmãos mais velhos de Diná por parte de sua mãe Lia, e tinham pouco mais de vinte anos de idade. Mas o furor deles era tão grande, que entraram na cidade de surpresa e mataram todos os homens que ali moravam, além de Siquém e seu pai Hamor. Isso foi possível porque todos eles estavam enfraquecidos pela operação a que se haviam sub-metido. Foi, todavia, um massacre bárbaro e traiçoeiro de pessoas, sem qualquer justificativa do ponto de vista humano; os outros filhos de Jácó não tomaram parte na chacina, provavelmente porque não eram tão sanguinários como Simeão e Levi. Diná havia procedido de maneira muito imprudente, talvez contribuindo para o avanço de Siquém, e este realmente a amava e desejava reparar o mal que havia feito a qualquer custo para si, demonstrando honestidade. Mesmo sendo repreendidos por Jacó no verso 30, vemos no verso 31 que a resposta dada por seus filhos não demonstrou qualquer arrependimento. Eles tomaram uma atitude arrogante, e puseram toda a culpa em Siquém por ter abusado da sua irmã.
  
 3. O resultado da vingança.
 

 



 Já que compreendemos bem esta história, estamos prontos para entendermos a profecia feita a Simeão e Levi. “Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura; dividi-los-ei em Jacó e os espalharei em Israel” (Gn 49.7).   Estiveram juntos no mal, mas a profecia feita por Jacó os separaram definitivamente.
3.1. As palavras de Jacó no contexto histórico.
A história nos mostra o cumprimento total desta profecia. Os seus descendentes estariam espalhados no território de Canaã. Não conseguiram estabelecer tribos independentes. Anos mais tarde, quando Moisés realizou o segundo censo em Israel, Simeão se havia convertido na mais fraca de todas as tribos, (Nm 26.14). Na benção de Moisés, Simeão não foi lembrado. Para a tribo de Simeão, não foi designado um território separado como herança, mas ela recebeu uma quantidade de cidades, dentro do território de Judá. As famílias da tribo de Simeão não cresceram muito, e a maioria foi absorvida pela tribo de Judá.
3.2. Levi deixa de ser tribo para assumir o sacerdócio.
A tribo de Levi também não recebeu terra, receberam apenas 48 cidades espalhadas por todo o território de Israel, pelo fato de a tribo de Levi ter tomado uma posição firme ao lado de Deus. Vocês se lembram daquele incidente no Monte Sinai, diante do bezerro de ouro? A única tribo que se uniu a Moisés foi a de Levi. Mas isto não mudou a profecia. Eles continuaram espalhados nas 48 cidades. Porém, por esta postura foi dada a tribo de Levi a tarefa de cuidar dos serviços religiosos do tabernáculo,  (Êx 32.26). Com isso, eles daí em diante deixaram de fazer parte do grupo das 12 tribos formando uma única tribo sacerdotal. A tribo de Levi, por sua fidelidade a Deus, converteu a maldição em uma benção; continuavam espalhados pelo território, mas tinham o privilégio de trabalhar nos serviços sagrados do templo.
3.3. Algumas lições.
O ódio é um sentimento que deve ser banido completamente de nosso coração. A vingança não deve fazer parte de nossa filosofia de vida.  Para os dois irmãos foram ditas a mesma coisa, mas a história final foi completamente diferente. A tribo de Simeão acabou praticamente desaparecendo como organização. A tribo de Levi, por se posicionar na hora de maior crise espiritual ao lado do Senhor, tornou-se uma tribo de muita importância para a nação de Israel.

Conclusão
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (IJo 1.9). Que possamos deixar todo ódio e rancor e vivermos o amor de Cristo para que tomemos parte da herança que nos é dada.

13/10/2012


                           Ruben, águas turbulentas.


Introdução
De acordo com Gênesis 29.32, seu nome deriva-se de dois termos hebraicos que significam “ver” e “filho”. Era o filho mais velho de Jacó e Lia, primeira esposa dele. Nasceu em Padã-Arã. Nesta lição, estudare-mos sobre o primogênito de Jacó. Sua trajetória serviu de estrutura para o destino de sua tribo. E com certeza também nos deixam grandes exemplos para termos uma vida de santidade diante do Senhor. 
. A história de Ruben.
 Ruben era o primogênito dos 12 filhos de Jacó. Sua mãe era a esposa menos favorecida de Jacó, Lia, que chamou o menino de Ruben, “por-que”, segundo ela mesma disse, “Jeová tem olhado para a minha miséria, sendo que agora meu esposo começará a amar-me”, (Gn 29.32;). Em resultado do contínuo favor que Jeová mostrou a sua mãe, Ruben e seus cinco irmãos germanos (Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom) constituíram metade dos cabeças tribais originais de Israel; os outros seis (José, Benjamim, Dã, Naftali, Gade e Aser) eram meio-irmãos de Rubem, (Gn 35.23-26).
1.1. Suas qualidades.
Algumas das boas qualidades de Ruben revelaram-se quando persuadiu seus nove irmãos a lançar José num poço seco, em vez de matá-lo, sendo o objetivo de Ruben retornar em secreto e tirá-lo do poço, (Gn 37.22b). Mais de 20 anos depois, quando estes mesmos irmãos arrazoaram que as acusações de espionagem levantadas contra eles, no Egito, se deviam a terem maltratado José, Ruben lembrou aos demais que ele não tinha participado no complô contra a vida de José, (Gn 42.9-14, 21, 22). Também, quando Jacó se recusou a permitir que Benjamim acompanhasse seus irmãos na segunda viagem ao Egito, foi Ruben quem ofereceu os próprios dois filhos como garantia, dizendo: “Podem ser mortos por ti se [eu] não to trouxer [isto é, Benjamim] de volta”, ( Gn 42.37).
1.2. O primogênito
Como primogênito de Jacó, Ruben gozava naturalmente dos direitos do filho primogênito da família. Como tal, tinha direito de receber duas parcelas dos bens deixados por Jacó, seu pai. A questão, pouco antes da morte de Jacó, quando ele abençoou seus filhos, era: entraria Ruben no gozo desses direitos de primogênito? Também, o patriarca Jacó, como cabeça da família, havia atuado como sacerdote de Jeová para toda a família e oferecido sacrifícios no altar familiar, bem como tinha liderado em orar e dar instrução religiosa. Como pai, agira também como o governador de toda a família e de todos os seus servos, gado e propriedades. Seriam essas responsabilidades repassadas a Ruben? Lembremo-nos de Jesus, que, sendo o primogênito de Deus, (Jo 3.16), cumpriu com todos os seus deveres de filho e ainda nos outorgou o direito de sermos co-herdeiros com Ele, (Rm 8.17).
1.3. Seu erro.
Na benção outorgada a Ruben em Gênesis cap. 49, Jacó recordou algo que o desqualificava e que influía em seus futuros privilégios. Ruben havia desonrado seu pai cometendo imoralidade incestuosa com Bila, concubina de seu pai, serva de Raquel, a esposa amada de Jacó. Isto aconteceu pouco depois de Raquel morrer, ao dar à luz Benjamim. O relato bíblico não revela se Ruben violou Bila, a serva, a fim de impedir que esta tomasse o lugar de Raquel nas afeições de Jacó, tornando-se assim mais favorecida do que Lia, sua mãe, ou se agiu por pura lascívia. O relato diz apenas: “E sucedeu, enquanto Israel residia naquela terra, que Rúben foi uma vez e se deitou com Bila, concubina de seu pai, e Israel soube disso”, (35.22).
1.4. As consequências.
 Rubem não foi repudiado e expulso por causa disso. Foi muitos anos depois, ao abençoar seus filhos, que Jacó disse a Ruben, por inspiração divina: “Não te sobressaias.” Assim, foi despojado de privilégios que, de outra forma, teria como primogênito. Isto porque agira com “impetuosidade leviana como as águas”, ou seja, mostrara-se, que sendo instável como as águas, que de forma turbulenta e impetuosa arrebentam uma represa ou que se precipitam num vale de torrente, Ruben deveria ter exercido domínio próprio. Paulo lembra aos gálatas que, ao contrário da nossa natureza pecaminosa, existem as características do fruto do Espírito Santo no cristão, (Gl 5.22,23). Entre elas encontra-se o domínio próprio.
    2.O período tribal.
 
 O nome Ruben também representa a tribo constituída pelos seus des-cendentes, bem como a terra da sua herança. A tribo de Ruben proveio dos seus quatro filhos, Anoque, Palu, Esrom e Carmi, os cabeças familiares dos rubenitas, ( Gn 46.8, 9; Êx 6.14; 1Cr 5.3). Um ano depois do Êxodo do Egito, Elizur, filho de Sedeur, foi escolhido como maioral para representar a inteira tribo de Ruben, (Nm 1.1, 4, 5; 10.18).

2.1. O censo.
 A tribo de Rubem foi coerentemente uma das menos numerosas entre as 12. Um censo realizado no segundo ano de peregrinação no ermo enumerou 46.500 rubenitas em condições de prestar serviço militar, com 20 anos de idade ou mais. Cerca de 39 anos depois, essa força, que somava então 43.730, era um pouco menor,( Nm 1.2, 3, 20, 21; 26.5-7).

2.2. No acampamento.
No acampamento de Israel, os rubenitas, flanqueados pelos descendentes de Simeão e de Gade, situavam-se do lado Sul do tabernáculo. Quando em marcha, esta divisão de três tribos, encabeçada pela tribo de Ruben, seguia a divisão de três tribos de Judá, Issacar e Zebulom, (Nm 2.10-16; 10.14-20). Esta também foi a ordem em que as tribos fizeram a apresentação de ofertas no dia da inauguração do tabernáculo, (Nm 7.1, 2, 10-47).
2.3. A rebelião.
Quando Coré, o levita, rebelou-se contra Moisés, três rubenitas — Om, filho de Pelete, junto com Datã e Abirão, filhos de Eliabe — aderiram à revolta, acusando Moisés de tentar ‘desempenhar o papel de príncipe’ sobre eles e de não conseguir conduzí-los a uma ‘terra que manava leite e mel’. Nemuel, irmão de Datã e de Abirão, pelo visto não participou na revolta, (Nm 16.1, 12-14; 26.8, 9). Jeová mostrou que a revolta era, na verdade, um desrespeito contra Ele; ele fez com que a terra se abrisse e tragasse vivos os rebeldes e suas famílias, junto com todos os seus pertences.
2.4. A tribo no contexto Bíblico.
 No exército de Davi haviam rubenitas (I Cr 11.42;12.37), e eles foram integrados na estrutura política de Davi (I Cr 26.32;27.16). No reino dividido, os rubenitas foram-se afastando cada vez mais das atividades nacionais, até que o território deles passou ao controle sírio (2Rs 10.32,33). Vestígios da tribo são mencionados como deportados para a Assíria, por Tiglate-Pileser, junta-mente com a tribo de Gade e a meia-tribo de Manassés (I Cr 5.26). O Novo Testamento menciona a tribo de Ruben apenas por uma vez, na enumeração das tribos que serão seladas (Ap. 7.5).
       3. Os rubenitas e suas lições.
 
 Algumas lições podemos extrair da vida de Ruben e posteriormente à sua tribo. Vejamos:

3.1. Os desejos carnais
Por ter tido relação sexual com a concubina de seu pai (Gn 35.22), Ruben perdeu o direito à primogenitura. A palavra severa de Jacó a Ruben o fez desperdiçar sua maior esperança de primogênito, talvez por isso, Jacó o expõe diante de seus irmãos. Um gesto que demonstrou a mágoa de seu pai, e foi horrendo diante dos olhos de Deus, que refletiu sobre a sua descendência. Ruben era o tipo de pessoa que poderia ter tido um futuro promissor nas mãos de Deus, mas que foi vencido pelos desejos carnais, e acabou revelando por que Deus não trabalhou em sua vida. O pecado afastou as excelências dos descendentes de Ruben.
3.2. A advertência de Paulo.
Em Gálatas cap. 5.19-21, Paulo enumera uma lista completa de todos os pecados possíveis que uma pessoa pode cometer. Ele não cita todos os pecados, mas, está simplesmente dando exemplos para ilustrar a diferença entre a pessoa que é governada pelo Espírito e aquela que é uma escrava das paixões carnais. Ele nos desafia a retirar estas coisas de nossas vidas para que possamos viver e andar no Espírito.   Paulo não deixa dúvida em seu comentário final, no versículo 21: “(...) a respeito das quais eu vos declaro como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais cousas praticam". Há uma ligação inegável entre nossa conduta e nossa salvação eterna. A pessoa que não permite ao Espírito mudar totalmente sua vida e remover tal carnalidade não receberá o prêmio de um lar eterno com Deus. Devemos ser transformados de dentro para fora, (Rs 12.1,2).
3.3. A rebelião de Coré.

  O pecado de Coré e os rubenitas que o acompanharam encontram-se às vezes na igreja. Há crentes que não querem submeter-se às autoridades constituídas por Deus. Raciocinam assim: Considerando que todos os crentes são santos e formam um "sacerdócio real" (I Pd 2.9), não é necessário dar atenção aos pastores e a outros líderes. Alguns chegam ao extremo de ignorar a igreja, considerando-a desnecessária e antiquada. O relato da rebelião de Coré jorra luz sobre a maneira pela qual os servos de Deus devem atuar em semelhantes situações. Moisés exortou a Coré e aos seus seguidores advertindo-os de seu erro. Embora Moisés se mostrasse muito humano em sua reação aos líderes intratáveis (Nm 16.15), depois teve pena da congregação rebelde e pro-curou salvá-la do juízo de Deus (Nm 16.42-46).
 conclusão.
De fato, tanto a vida de Ruben, quanto sua tribo nos mostram exemplos a não serem seguidos. A falta de domínio próprio e a rebeldia começam com a falta de contentamento e o ceticismo; passa para as reclamações contra as circunstâncias e contra Deus, depois adquire amargura e ressentimento, seguidos finalmente por rebelião e hostilidade. Vigiemos se estivermos desconten-tes, cépticos, inclinados a reclamar ou a ficar ressentidos: estas atitudes nos levarão a nos rebelar contra Deus e as consequências serão sérias para nós.

29/09/2012


                   Panorama das 12 tribos de Israel.
Introdução.
 Em toda Bíblia, ouvimos falar muito sobre as doze tribos de Israel. Mas quem são essas tribos? De onde elas surgiram? O que representam Biblicamente? É fato que as doze tribos têm um valor imenso na trajetória da nação eleita por Deus. Por isso, passemos a analisar e conhecer melhor as tribos de Israel.
1. Tribos de Ruben, Simeão e Levi.

  Jacó profetizou para seus filhos Ruben, Simeão e Levi. Foram mencionados fatos históricos destes filhos que geraram alegrias e mágoas escondidas na sua despedida.
1.1. A Tribo de Ruben
  O primogênito de Lia destacava-se entre seus irmãos. Mas ele perdeu seus direitos naturais. Seu lugar de primogênito favorecido foi dado a José. Seus privilégios de sacerdote seriam passados a Levi. Seu direito de ser o chefe das tribos de Israel, isto é, seus direitos reais, seriam de Judá. Assim Ruben, dotado de dignidade, direitos de primogenitura e superioridade natural, perderia o direito a todo e qualquer lugar de poder e influência por causa da instabilidade do seu caráter. Seu in-descritível pecado com Bila deu evidência de uma fraqueza moral que significa ruína. Suas paixões incon-troladas (impetuoso como as águas) foram descritas na expressão hebraica, "água sem repressão jorrando em torrente espumante" (v. 4). Embora capaz de sonhos, planos e boas intenções não se podia contar com ele para a realização dos mesmos.
1.2. As Tribos de Simeão e Levi
O segundo e o terceiro filho de Jacó com Lia, eram irmãos na violência. O velho pai não poderia jamais esquecer o cruel massacre dos  Siquemi-tas. Naquele dia revelaram seu verdadeiro caráter, pois violenta-mente atacaram e destruíram homens que eles desarmaram por meio da estratégia e fraude. Naquela ocasião foram censurados por seu pai. Agora, ao lado do seu leito de morte, tiveram de ouvir as cor-tantes palavras de sua maldição: “Eu os dividirei em Jacó, e os espalharei em Israel”, (v. 7b). Não teriam território que pudessem chamar de seu, mas seriam dispersos entre as outras tribos. Em Canaã esta maldição foi cumprida: os simeonitas foram engolidos pela tribo de Judá; e os levitas não receberam nenhum território, pois serviram como mi-nistros do santuário e mestres de Is-rael.
1.3.  Levi teve a sorte mudada.
2

A sentença acerca de Levi se conver-teria em bênção. Esta tribo realizou um serviço agradável a Deus em seu zelo contra os adoradores do bezer-ro de ouro (Êx 32). Tendo sido separados por Deus como sacerdotes, nesse caráter foram espalhados pela nação de Israel. Levi não teve herança em Israel, mas herdou cidades es-palhadas por todas as tribos, (Js 13.33; 21.1-45)
 A sequência das bênçãos tribais 
  Agora as bênçãos serão direcionadas aos da tribo de Judá, Zebu-lom, Issacar, José (Efraim e Manassés).
2.1.   A Tribo de Judá
 O quarto filho de Jacó com Lia, recebeu o primeiro inqualificável lou-vor do velho patriarca. Levava sobre si a esperança de Israel. Não tendo o direito da primogenitura, nem dignidade excepcional, ou poderes espiri-tuais, sobressairia como o poderoso líder de um povo, que entusiástica-mente haveria de admirá-lo e louvá-lo. A frase, “até que venha Siló”, foi pronunciada por Jacó no meio do quadro profético referente ao lugar de Judá no plano de Deus. Para nós, o fulgor incomum de sua predição está grandemente realçado pelo fato de que desde os tempos antigos tem sido considerada como mensa-gem messiânica. No hebraico poderia ser traduzido, “até que venha Siló”, ou “até que venha aquele a quem ele pertence”. Em ambas as traduções a referência deve ser, pri-meiramente, a Judá, mas em última análise o Messias é Aquele que deve vir. Em outras palavras, a soberania jamais se apartará de Judá, até que venha Aquele que tem o direito de reinar.
2.2.   A Tribo de Zebulom
  O sexto filho de Jacó com Lia, seria colocado em um lugar onde seriam possíveis a atividade comercial e a prosperidade. Isto pode significar que a tribo de Zebulom receberia um território ao longo da costa. Ou, pode significar que a prosperidade seria a herança dos descendentes de Zebulom, por causa de sua proximidade com os fenícios que tinham acesso ilimitado às rotas do comércio. No cântico de Débora (Jz 5) o povo de Zebulom foi sinceramente elogiado por sua valorosa atitude contra Sísera e seu exército.
2.3. A Tribo de Issacar.  
 O quinto filho de Jacó com Lia está representado como um forte aman-te, do descanso e do sossego, como um boi. A palavra hamor, designa a forte besta de carga que se submete ao jugo mortificante, sem se queixar, a fim de poder ficar livre para deitar-se com sossego, com tranqui-lidade e conforto. Jacó estava predizendo que a Tribo de Issacar se submeteria à invasão dos cananitas que lhe colocaria um jugo. Em vez de lutar, os homens desta tribo submissamente se tornariam escravos dos povos da terra. Prefeririam a vergonha e a escravidão em lugar da ação corajosa.
2.4. José (Efraim e Manasses)
  O primeiro filho de Raquel recebeu os mais altos louvores dentre todos os filhos. Um homem de visão, de sonhos, de força moral e espiritual, ele foi um exemplo do melhor que há nas vidas do A.T. Jacó chamou José de ramo frutífero. No hebraico “para” contém um jogo de palavras com o nome de "Efraim". A referência é a uma árvore ou videira que cresce vigorosamente, com a idéia de vitalidade ou juventude. Como resultado de ter sido plantada junto a uma fonte rumorejante, continuaria a crescer e dar fruto. Numa terra seca, a água fazia diferença entre a esterilidade e a fertilidade. A humildade garantia a fertilidade. Uma árvore assim fortalecida podia lançar seus ramos e suas gavinhas sobre o muro, partilhando com o mundo da abundância de seus frutos. Posteriormente, a tribo de José se dividi-ria nas meio-tribos de Efraim e Manassés devido à inclusão dos mesmos na benção de Jacó, (Gn 48.1-22).

3. O restante das tribos


 

  O que Deus fez por meio de Israel tipifica o que ele quer fazer por meio da Igreja. Deus quer que a Igreja seja um instrumento abençoador na ter-ra. Onde houver um salvo aí estará a bênção do Senhor. A incumbência da igreja é cumprir a obra restauradora de Deus. A igreja é o vaso de Deus na sua obra de restauração. Israel deveria ser uma bênção na terra para encaminhar as demais nações ao encontro de Deus e hoje a responsabilidade da Igreja é pregar o Evangelho para que todo o ho-mem tenha conhecimento do Senhor Jesus.
3.1. A Tribo de Dã.
O primeiro filho de Bila seria um forte defensor do seu povo.  Advogaria e ajudaria na luta pela inde-pendência. A tribo seria pequena, mas seria temida pelos vizinhos que tentariam espezinhá-la. Jacó cha-mou Dã de serpente junto ao caminho, que causaria terror e feri-mentos rápidos e fatais. O hebraico “neiheish” significa mais do que uma serpente no gramado, um réptil venenoso com presas fatais. Isto é, Dã seria sobremaneira perigoso aos seus inimigos. Mais tarde, membros da tribo de Dã cumpriram esta palavra com exatidão notável. Depois de algum tempo em seu território original, os danitas mudaram-se pa-ra o norte e ocuparam o extremo norte de Israel. Este povo nunca se distinguiu por seus predicados espirituais. Em 931 a.C. Jeroboão levantou um bezerro de ouro em Dã, para que a adoração pagã fosse fomentada.
3.2.      A Tribo de Gade.
 Foi o primeiro filho de Zilpa, a serva de Lia. O velho patriarca reconheceu que o espírito corajoso e guerreiro de Gade seriam forte ajuda para o seu povo na vida em Canaã. Jacó predisse que Gade precisaria de toda sua astúcia, coragem e persistência na luta, pois seria continuamente molestado por ataques das tribos do deserto. Ele profetizou que Gade seria vitorioso e seria capaz de expulsar o inimigo. Depois da conquista da Palestina, a tribo de Gade ficou localizada a leste do Jordão.
3.3. A Tribo de Aser.
O segundo filho de Zilpa, tem um nome que significa feliz. Jacó o descreveu em um campo fértil, onde o trigo, o vinho e o azeite seriam produzidos em quantidades abun-dantes. Seria próspero e rico. As guloseimas que produziria seriam próprias da mesa de um rei. (Até os reis de Tiro e Sidom haveriam de querê-las.) A tribo de Aser testemunhou o cumprimento desta profecia patriarcal.
3.4. Naftali.
O segundo filho de Bila, demonstraria um notável amor à liberdade; ele era uma gazela solta, disse Jacó. A ilustração descreve um animal selvagem, rápido e gracioso que se deleita com a liberdade das mon-tanhas cobertas de bosques e dos vales abertos. Naftali teria o domínio dos grandes campos de Deus. “Profere palavras formosas” é, talvez, uma referência aos discursos eloquentes e úteis que sairiam da boca dos homens desta tribo. Baraque, por causa do seu valor, veio a ser um dos seus vencedores. Em Jz 5.18 lemos: "Zebulom é povo, que expôs a sua vida à morte, como também Naftali".
3.5. Benjamim.
O filho mais moço de Raquel, carac-terizava-se como um lobo feroz e perigoso que faria grandes estragos. O lobo é alerta e furtivo em seus movimentos. De noite ele entra sorrateiramente entre as ovelhas e foge com a sua presa. O hebraico “teiraf” significa rasgar em tiras. Fala de crueldade selvagem. Os lobos do início da noite podem ser tão selvagens e destruidores como àqueles da madrugada. Em qualquer momento estão prontos para os ferozes negócios do comportamento desumano. Eúde, Saul e Jônatas estão entre os descendentes de Benjamim, os quais evidenciaram seus poderes guerreiros. Os homens desta tribo tornaram-se famosos pelos seus arqueiros e seus lanceiros, ( Jz. 5.14; 20.16).
Conclusão
 

 Salmos, capítulo 119 e verso 105 nos diz: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho”. Estudar e aprender sobre as tribos de Israel é de grande valia para entendermos o plano de Deus para Israel e principalmente a Igreja de cristo. Que o Senhor nos abençõe nesta empreitada.
Questionário
 

1. Cite um dos direitos naturais perdidos por Rúben?
2. Podemos afirmar que a tribo de Dã foi uma tribo idólatra?

11/03/2012

40 anos no deserto

As peregrinações que os filhos de Israel realizaram, marchando desde o Egito até à terra de Canaã, foram uma escola importante para sua instrução.

Foi em Ramessés que principiou a marcha dos israelitas. O caminho direto deste lugar para Canaã teria sido pela terra dos filisteus, ao norte dos lagos Amargos, e ao longo da orla setentrional do deserto de Sur. Todavia, essa direção foi-lhes proibida (Ex 13.17,18); e por isso, depois de por certo tempo tomarem o rumo oriental, prosseguiram para o sul, exultando certamente com isso o Faraó, porque julgava assim em seu poder.
Acamparam a primeira noite em Sucote, que não devia ter sido longe de Ramessés. Pela segunda tarde chegaram à orla do deserto, em Etã. Provavelmente agora deviam ter seguido para o Oriente, mas foi-lhes ordenado que "retrocedam e que acampem defronte de Pi-Hairote, entre Migdol e o mar, diante de Baat-Zefom" (Ex 14.2); era um estreito desfiladeiro, perto da costa ocidental do Golfo, entre os montes que guarnecem o mar e uma pequena baia ao sul. Ficavam deste modo "desorientados na terra".
Esse movimento teve o efeito  de atrair o Faraó, para junto deles; e o desígnio de alterar desta forma a linha da sua marcha foi revelada a Moisés (Ex 14.17). Os egípcios aproximaram-se dos israelitas quando estes estavam acampados diante do braço ocidental do mar Vermelho. Como, quer na extensão, quer na profundidade do golfo de Suez, se operou uma notável mudança  no decorrer destes últimos trezentos anos, em virtude duma grande acumulação de areia, é por esta razão impossível determinar o lugar onde os israelitas atravessaram. Eles passaram pelo mar  em seco para o lado oriental, perto do sítio agora chamado Ayun Musa (poços de Moisés), principiando aqui o deserto de Sur (Ex 15.22), ou o deserto de Etã (Nm 33.8). Estas duas expressões de aplicam à parte superior do deserto; este deserto estende-se desde o Egito até à praia oriental do mar Vermelho, e alarga-se para o Norte até à Palestina.

O caminho que os israelitas tomaram é uma larga vereda pedregosa, entre as montanhas e a costa, na qual correm no inverno vários ribeiros, que nascem nos montes. Nesta ocasião tudo devia estar seco. O lugar onde primeiramente estacionaram foi Mara (amargo), onde foi operado o  milagre de se tornar doce a água amarga (Ex 15.23-25). O sítio onde isto aconteceu é, provavelmente, Ain Hawara, perto do riacho, chamado Wady Amarah, que tem a mesma significação de Mara.
A seguinte estação foi Elim, "onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras" (Ex 15.27); este sítio fixado por Niebhr e Burckhardt no vale onde corre  Ghurundel, que é a maior de todas as correntes, no lado ocidental da península. Este vale contém agora tamareiras, tamargueiras, e acácias de diferentes espécies. Obtém-se aqui água em abundância, cavando poços; há, também, uma copiosa nascente, com um pequeno regato.
Chegaram depois os israelitas ao deserto de Sim, "entre Elim e Sinai" (Ex 16.1), no sopé da escarpada cumeeira de et-Tih,  um nome que significa "divagação"; é "um deserto medonho, quase inteiramente destituído de vegetação". Foi logo depois de terem entrado neste deserto que os israelitas obtiveram miraculosa provisão de codornizes e de maná. Os estudiosos supõe que eles tomaram em seguida a direção do sueste, marchando para a cordilheira do Sinai. Neste caso, a sua passagem teria sido pelo extenso vale, a que os árabes chamam Wady Feiran. Passaram depois por Dofca e Alus. O vale Feiran é o sítio mais fértil de toda a região; e é aqui que devemos procurar Refidim, onde pela primeira vez foram atacados (Ex 17.8-13). Jetro, sogro de Moisés, também o visitou em Refidim; e pelo seu conselho foram nomeados juízes para ajudar o chefe israelita na ação judicial (Ex 18). E aqui, entre elevados picos, estava a rocha que, por mandado de Deus, foi ferida por Moisés, saindo dela depois abundância de água.
Em seguida fizeram seu acampamento no ermo do Sinai, onde o Todo-Poderoso revelou à multidão a Sua vontade por meio de Moisés; foi dado o Decálogo (dez mandamentos) ao homem, e foi estabelecido o Pacto (Ex 20.1-17; 24.7,8). Neste deserto também se deu o caso do culto prestado ao bezerro de ouro, e a enumeração do povo, e a construção do Tabernáculo; além disso, Arão e seus filhos foram consagrados, celebrou-se a segunda Páscoa, e morreram Nadabe e Abiú por terem oferecido fogo estranho ao Senhor.
O monte, onde a Lei foi dada, chama-se Horebe no Deuteronômio, e Sinai nos outros livros do Pentateuco (5 livros: Gn, Ex, Lv, Nm e Dt). Provavelmente o primeiro nome designa todo o território, e o outro simplesmente a montanha, onde foi revelada a Lei.

Permaneceram os israelitas no deserto do Sinai um ano  aproximadamente, aparecendo de novo o sinal para a partida. Desde então as suas marchas e acampamentos foram sempre dirigidos pelo Senhor. Uma nuvem, que manifestava a Sua presença, cobria o tabernáculo de dia, e à tarde estava sobre o tabernáculo uma aparência de fogo até à manhã" (Nm 9.15). O levantar da nuvem era sinal de avançar, caminhando eles após ela; e, quando parava a nuvem sobre o tabernáculo, queria isso dizer que deviam acampar de novo. As suposições, são que eles passaram para o norte, ao longo do Wady esh-Sheikh, entrando numa grande planície chamada el-Hadharah, na qual estava Taberá, nome que significa "incêndio", e que lhe foi dado em virtude de ser ali destruído pelo fogo, que caiu do céu, num certo número de israelitas insurgentes (Nm 11.1-3).
A estação seguinte foi Quibrote-Taavá, ou os "sepulcros da concupiscência" (Nm 11.34; 33.16). De Quibrote marcharam para Hazerote onde ocorreu a sedição de Miriã e Arão (Nm 12). As estações nesta parte do deserto foram Ritmá, Rimom-Perez, Libna e Cades-Barneia, sendo alcançado provavelmente este último lugar pelo mês de junho mais ou menos.

Quando se aproximava da Terra Prometida, foram mandados alguns espias (espiões) para a examinarem; mas, quando voltaram, as suas informações foram de tal modo aterrorizadores que o povo se revoltou; e por esta razão os hebreus tiveram de errar no deserto pelo espaço de quarenta anos. Saindo os israelitas de Cades-Barneia, depois da sua segunda visita, em que houve a provocação ao Senhor nas águas de Meribá, vieram eles até ao monte de Hor, perto de Petra, onde morreu Arão.

Esse monte, verdadeiro trono de desolação, consta de quebradas, de ruínas e de escuras profundidades. Os árabes chamam-lhe Jebel Neby Hayran, que quer dizer: o "monte do profeta Arão"; e ainda hoje, quando uma caravana oriental avista seu cume, sacrifica um cordeiro em memória daquele grande sacerdote. Passando pelo Wadi Arabah (provavelmente o "deserto de Zin") para Eziom-Geber (da segunda vez) e Elate, o povo chegou ao golfo oriental do mar Vermelho, e voltou para o norte pelo deserto oriental da Arábia. Neste lugar existe um grande desfiladeiro, vindo do nordeste através das montanhas, constituindo a principal passagem no Wadi Arabá para o deserto. A ascensão dos israelitas foi, sem dúvida por esta estreita passagem, quando de desviaram do mar Vermelho, e voltaram aos territórios de Edom. Nesta ocasião o povo estava muito desanimado por causa do caminho, e murmurou conta Deus e contra Moisés. As suas murmurações foram castigadas, aparecendo entre eles umas serpentes ardentes, cujas mordeduras produziam a morte; mas, por mandado do Senhor, foi levantada uma serpente de bronze, sendo curados os que para ela olhavam com fé. Prosseguiram  depois a sua viagem pelas faldas orientais das montanhas de Seir.

Os edomitas que primeiramente lhes haviam recusado a passagem pela sua terra, agora consentiam, fornecendo-lhes também alimentos para o seu caminho (Dt 2.3-6). Nada se sabe  das suas passagens até que chegaram a Zerede, um pequeno ribeiro que corre pelas montanhas até à extremidade ocidental do mar Morto. E partindo daquele Sítio "acamparam-se na outra margem de Arnom, que... é o termo de Moabe, entre Moabre e os Amorreus" (Nm 21.13). E dali se dirigiram para Beer, ou Beer-Elim, o poço dos nobres do povo, onde vendo que estavam quase chegados ao fim do deserto, e na perspectiva duma rápida entrada na Terra Prometida, entoaram o "cântico do poço" (Nm 21.17,18).

Os israelitas, após este acontecimento, desbarataram o seu terrível inimigo Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom, e cujos territórios se estendiam ao longo das praias do mar Morto, e pelo vale oriental do Jordão até ao rio Jaboque. Saindo vitoriosos na guerra contra Ogue, que ganhara os territórios ao oriente do mar da Galiléia, os israelitas apoderaram-se da parte oriental do vale do Jordão. Estas terras conquistadas, sendo boas para pastagens, foram cedidas às tribos de rúben e Gade, e à meia tribo de Manassés, que tinha muito gado; mas foi com a condição de auxiliarem as outras tribos na sua conquista de Canaã, ao ocidente do Jordão (Nm 32; Dt 3.8-20; Js 1.12-18). E por este motivo a seguinte estação foi chamada Dibom-gade, para distinguir de outra Dibom pertencente aos rubenitas (Js 13.17). As ruínas desta povoação, com o nome de Dibom, vêem-se cerca de seis quilômetros ao norte do rio Arnom. Deste lugar caminharam para Almom-Diblatain ou Diblataim, de onde seguiram para as serras de Abarim, em frente do monte Nebo. Finalmente acamparam perto do Jordão, desde Bete-Jesimote até Bete-Sitim, em frente de Jericó (Nm 33.49).

E assim terminou uma jornada de quarenta anos, atravessando principalmente lugares desertos, viagem que podia ter-s efetuado nalgumas semanas.

29/01/2012

Davi e Golias


"Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu vou a ti em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado" (1 Sm 17.45).

Quem lê o capítulo 17 de 1 Samuel, principalmente os versículos 31 a 50, observa que Davi, ao enfrentar o gigante filisteu, estava cônscio de que aquele combate não era somente físico, mas também espiritual. Todo crente fiel enfrenta essa luta contra os poderes do inferno (Mt 16.18; Ef 6.10-18). A vitória de Davi sobre Golias aponta para a nossa vitória diária na vida cristã através do Filho de Davi, Jesus Cristo, que venceu por nós (2 Co 2.14; Rm 8.37).

I. OS INIMIGOS DO POVO DE DEUS

1. Inimigos numerosos. Os filisteus eram um povo aguerrido, que habitava a planície da costa do Mar Mediterrâneo, desde Jope até o sul de Gaza. Na Bíblia, o país é chamado de Filístia (Sl 87.4), que originou os termos Palestina e palestino. Em Gênesis 10, a Bíblia registra a origem desse povo gentílico (vv.13,14). Em Josué 13.3, está a menção das suas cinco grandes cidades: Gaza, Asdode, Asquelom, Gate e Ecrom. Golias, o guerreiro gigante que desafiou os israelitas, era de Gate (1 Sm 17.4).
O livro de Samuel nos dá a dimensão da grandeza numérica desse povo: "E os filisteus se ajuntaram para pelejar contra Israel: trinta mil carros, e seis mil cavaleiros, e povo em multidão como a areia que está à borda do mar; e subiram e se acamparam em Micmás, ao oriente de Bete-Áven" (1 Sm 13.5). Os inimigos de Israel eram de fato numerosos. Na história se observará que os fiéis a Deus, às vezes, parecem estar em desvantagem pessoal, material, posicional, comunicativa, etc., mas a Palavra do Senhor acerca deles permanece de pé: "Não temas, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o Reino" (Lc 12.32).
2. Inimigos poderosos. De acordo com 1 Samuel 13.20, "todo o Israel tinha que descer aos filisteus para amolar cada um a sua relha, e a sua enxada, e o seu machado, e o seu sacho”. Os filisteus dominavam a técnica que permitia instrumentalizar o ferro. Já Israel era mais um povo agrícola, pastoril. O livro de Juízes, do qual 1 Samuel é uma sequência, relata o desvio espiritual de Israel como povo de Deus (Jz 17.6; 21.25). Israel colheu a má semeadura disso ao ser atormentado pelos filisteus (1 Sm 4.2,10; 7.3). Parecia impossível Israel vencer o seu potente inimigo, mas nas palavras de fé de Davi, temos a devida resposta: “E saberá toda esta congregação que o senhor salva, não com espada, nem com lança; porque do senhor é a guerra, e ele vos entregará na nossa mão” (1 Sm 17.47). Somente a provisão divina pode explicar isso!
A vitória de Israel sobre seu potente inimigo só foi possível mediante a confiança de Davi em Deus.

II. O INIMIGO DE DAVI

1. Amedrontava por seu tamanho. A Bíblia descreve a estatura de Golias com os seguintes detalhes: "Então, saiu do arraial dos filisteus um homem guerreiro, cujo nome era Golias, de Gate, que tinha de altura seis côvados e um palmo" (1 Sm 17.4). Golias impressionava por sua grande estatura. Pelo nosso sistema atual de pesos e medidas, isso corresponde a quase 3 metros de altura. Tal informação não é de causar espanto, pois a arqueologia tem descoberto, no Antigo Oriente, esqueletos de gigantes que confirmam o relato bíblico. Aliás, o registro bíblico apresenta outras menções de homens gigantes (Gn 6.4 ; Dt 2.10,20,21; 3.11).
Golias, confiante em sua grande estatura, desafiou e amedrontou o exército de Israel por quarenta dias (1 Sm 17.11,16). Como o gigante, muitos hoje confiam tão somente em sua "estatura" (em vários sentidos), sem cogitarem que sua derrubada está próxima.
O contraste era grande: de um lado um homem guerreiro e campeão, que amedrontava por sua experiência e seu tamanho; do outro, um jovem do campo, pastor de ovelhas (1 Sm 16.11), mas que demonstrou coragem e responsabilidade no cuidado com o rebanho de seu pai (1 Sm 17.34-37). A diferença física entre os dois era muito grande, tanto que aos olhos do gigante Davi era desprezível: "E, olhando o filisteu e vendo a Davi, o desprezou" (1 Sm 17.42). O homem de Deus pode ser depreciado, ignorado e humilhado, mas, se ele é temente ao Senhor, santo, fiel, perseverante e humilde de espírito, sabe que o Todo-Poderoso lhe dará a vitoria final. Apesar de sua zombaria, Golias não sabia que, a despeito de ser novo, aquele moço possuía as qualidades mencionadas em 1 Samuel 16.18: talento musical, coragem, prudência no falar, boa aparência e, o mais importante, tinha comunhão com Deus.
2. Amedrontava por suas armas e discurso persistente. Golias e seu armamento causavam medo a qualquer um. O texto sagrado, ao falar das armas de Golias, registra: "Trazia na cabeça um capacete de bronze e vestia uma couraça de escamas; e era o peso da couraça de cinco mil siclos de bronze. E trazia grevas de bronze por cima de seus pés e um escudo de bronze entre os seus ombros. E a haste da sua lança era como eixo de tecelão, e o ferro da sua lança, de seiscentos siclos de ferro; e diante dele ia o escudeiro" (1 Sm 17.5-7). Imagine Davi desafiando essa fortaleza móvel, com tantas armas, tendo apenas um cajado, uma funda, cinco pedras do ribeiro e uma pequena sacola!
Golias procurava amedrontar o acampamento israelita com seus persistentes discursos que afrontavam o Deus de Israel. A Escritura registra que o gigante desafiava Israel pela manhã e pela tarde, e isso durou um longo período (1 Sm 17.16,23). É evidente que essa era uma forma de impor medo e manter o exército de Israel sob constante pressão. Essa mesma tática o Diabo repetiu ao tentar Cristo por quarenta dias, e, sendo derrotado, afastou-se até o momento oportuno (Lc 4.13). Assim como Davi, nós devemos resisti-lo e vencê-lo por Cristo (Tg 4.7).

III. A VITÓRIA DE DAVI

1. Davi venceu porque estava sob a direção e autoridade de Deus. Nos dias do patriarca Abraão, Deus firmou uma aliança com ele (Gn 12.1-3; 17.1-11). Essa aliança, o Senhor a confirmou com os descendentes de Abraão: Isaque (Gn 26.3,4) e Jacó (Gn 28.13,14). Herdeiro dessas alianças de Deus com seu povo, Davi sabia que estava sob a proteção do Senhor (2 Sm 7.15,16). Assim, a indignação de Davi não consistia meramente no fato de que Golias estava desafiando os soldados do exército do Povo Escolhido, mas o próprio Deus dos Exércitos de Israel (1 Sm 17.45). O homem segundo o coração de Deus estava convicto de que, assim como havia um exército humano comandado por Saul, existia um exército celestial comandado pelo Senhor!
Na realidade, a vitória de Davi está diretamente relacionada à autoridade espiritual da qual ele estava investido. Ele não lutava em seu próprio nome, mas no nome do Deus de Israel que estava sendo afrontado (1 Sm 17.45). A Bíblia declara que "as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas" (2 Co 10.4). Tal como Davi, o crente é um soldado cristão e jamais deve esquecer que não está lutando contra o sangue e a carne, mas contra os principados e potestades (Ef 6.12), e que, por isso, deve estar sempre revestido de toda a armadura de Deus (Ef 6.11).
2. Davi venceu porque teve fé e confiança em Deus. Quando Saul quis saber como o jovem Davi poderia enfrentar o gigante, ele relatou que já havia matado um leão e um urso, que tinham atacado o seu rebanho (1 Sm 17.34-37). Se ele pôde destruir aqueles animais ferozes, da mesma forma poderia derrotar o gigante filisteu. Quem tem fé e confiança no Senhor costuma ver as coisas por outro ângulo, e foi o que Davi demonstrou ali. Sua confiança em Deus era tão grande e evidente, que logo convenceu tanto Saul como o comandante do seu exército. Só Deus faz estas coisas. Não é sem razão que Davi é um dos componentes da galeria dos heróis da fé (Hb 11.32).
Sempre que a fé está presente, as leis da lógica formal são anuladas. A fé em Deus faz o menor vencer o maior; uma guerra ser vencida sem luta (2 Cr 20.17); a fraqueza virar força (Hb 11.34); e a alegria prevalecer no sofrimento, pois a fé pode crer mesmo contra a esperança (Rm 4.18); ela contempla como existentes coisas que ainda não existem (Hb 11.1). Davi estava tomado por essa fé em Deus, por isso, derrotou o gigante filisteu.


Davi venceu o gigante filisteu porque estava sob a direção e autoridade divinas e teve fé e confiança em Deus.

CONCLUSÃO

A vitória de Davi sobre Golias é sem dúvida alguma um grande divisor de águas na história da nação hebraica. De um simples e pequeno pastor desconhecido, Davi passa a ser uma figura-chave na construção da monarquia de Israel. Tudo isso graças à sua coragem e fé ousada na ocasião em que não temeu o enfrentamento com um inimigo aparentemente invencível. Fica para nós a lição de que nenhum gigante é imbatível, quando o combatemos confiando plenamente no Senhor.

23/01/2012

O ossuário do irmão de Jesus e o silêncio da mídia

Quando descobrem um fóssil duvidoso tido por algum especialista como "elo perdido" ou coisa que o valha, a mídia geralmente faz aquele estardalhaço. Por que, então, silenciaram sobre a primeira descoberta arqueológica referente a Jesus e Sua família? O ossuário (urna funerária, foto abaixo) de Tiago data do século 1 e traz a inscrição em aramaico "Tiago, filho de José, irmão de Jesus" (Ya'akov bar Yosef achui d'Yeshua). Oculto por séculos, o ossuário foi comprado muitos anos atrás por um colecionador judeu que não suspeitou da importância do artefato. Só quando o renomado estudioso francês André Lemaire viu na urna, em abril de 2002, a inscrição na língua falada por Jesus, foi que se descobriu sua importância. O ossuário foi submetido a testes pelo Geological Survey of State of Israel e declarado autêntico. Segundo o jornal The New York Times, "essa descoberta pode muito bem ser o mais antigo artefato relacionado à existência de Jesus".

Estou lendo o ótimo livro O Irmão de Jesus (Editora Hagnos, 247 p.), que trata justamente da descoberta do ossuário de Tiago. A autoria é de Hershel Shanks, fundador e editor-chefe da Biblical Archaeology Review, e de Ben Witherington III, especialista no Jesus histórico e autor de vários livros sobre Jesus e o Novo Testamento. O prefácio é do próprio Lemaire, especialista em epigrafia semítica e autoridade incontestável no assunto. Hershel conduz a história de maneira muito interessante, revelando os bastidores da descoberta e as reações a ela, afinal, o ossuário, além de autenticar materialmente o Jesus histórico, afirma que Ele tinha um irmão chamado Tiago, filho de José e, possivelmente, também de Maria. Segundo a revista Time, trata-se de "uma história de investigação científica com alta relevância para o cristianismo", talvez por isso mesmo deixada de lado por setores da mídia secular e antirreligiosa.

O livro é bom, o achado é tão tremendo quanto o dos Manuscritos do Mar Morto (na década de 1940), e eu estou fazendo minha parte, divulgando-o aqui. Vale a pena ler!

Michelson Borges

13/01/2012

"Senhor, Ensina-nos a Orar"


  "De uma feita, estava Jesus orando em certo lugar; quando terminou, um dos seus discípulos pediu; Senhor, ensina-nos a orar como também João ensinou aos seus discípulos" (Lucas 11:1).
  A oração é importante. Todos os que querem seguir o Senhor sabem que a oração é parte essencial da vida do discípulo. Entretanto, poucos oram e muitas vezes, quando oramos, parece que lutamos para nos expressarmos a Deus. Embora possa parecer que a oração deveria vir a nossa boca como uma expressão confortável de nossa fé e confiança em Deus, ela freqüentemente parece difícil, talvez ineficaz.
Os primeiros seguidores de Jesus observaram seus hábitos de oração. Eles o viram freqüentemente procurando um lugar deserto para falar com seu Pai. Numa ocasião dessas, eles pediram sua ajuda. Também desejamos comunicar- nos com Deus como seu filho estava fazendo. "Senhor, ensina-nos a orar" (Lucas 11:1).
  Jesus fez como eles pediram. Ele os ensinou como orar, tanto por suas palavras como por seu exemplo. Ele orava freqüentemente, fervorosamente e com grande fé naquele que estava ouvindo aquelas orações. Através do exemplo de sua vida, ele está ainda nos ensinando a orar.

por Dennis Allan